quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Traços da vida



TRAÇOS DA VIDA
* MMendes



A vida é chama
que não se apaga.
No dia em que decidi
escolhi, me vinculei 
à vida que viverei.
Existe borracha
para apagar 
o que escrevi?
Ou devo ser criativo
e construir a felicidade
a partir dos traços
que rabisquei?

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Aposentando a espada

APOSENTANDO A ESPADA
*MMendes
Vou dormir
 mas não 
sem antes 
pedir perdão 
aos homens 
e mulheres 
que magoei 
com meu poder. 
Mas nada fiz 
com dolo 
ou satisfação 
em ferir. 
Procurei ser justo, 
mas não esqueço 
que a justiça 
dá a cada um 
o que é seu, 
cortando 
com sua 
espada. 
Um dia 
aposentarei 
a espada, 
cultivarei 
flores 
plantarei árvores.

Presente do tempo

PRESENTE DO TEMPO

*MMendes
O tempo passou 
depressa. 
Mas acho que 
eu é que andei 
distraído demais, 
desatento 
aos sinais. 
Como é que 
não percebi 
o surgimento dos 
cabelos alvejados, 
das rugas 
de expressão, 
o tecido flácido? 
Pensando melhor, 
eu ganhei 
tudo isso 
como prêmio 
por ter vivido, 
coisa que 
quem morre 
cedo 
verá jamais.

Pedaços de mim

PEDAÇOS DE MIM
*MMendes
No instante que eu me arroguei
belo luzeiro no mais alto do céu
nesse instante eu cai
me quebrei 
de mim me separei,
filho ali, mãe acolá
o pai nem sei onde foi parar.
Eu não devia ter subido tão alto
não sabia voar.
Depois de me perder de mim
eu que era apenas cacos
precisava de alguém
que me pudesse ajuntar,
soubesse onde me encaixo
me resgatasse do chão
para que eu 
me recebesse de volta.
Então voltei para casa
voltei para o que sou
um igual
nem maior, nem menor
abracei-me com amor
nunca mais vou me deixar.

O coração do poeta


O CORAÇÃO DO POETA
*MMendes

Quanta poesia 
há na alma 
de um poeta? 
Três sonetos, 
uma quarta, 
cinco trovas 
versos sem fim?
Na ponta 
do lápis 
e da língua 
a poesia 
transborda, 
mas é 
no coração 
do poeta, 
que a poesia 
nunca dorme.

domingo, 31 de agosto de 2014

Pássaros no quintal

PÁSSAROS NO QUINTAL
*MMendes
Assobiava seu dobrado
gorjeando em seu altar 
na árvore, perto do sobrado
alaranjado sabiá,
enquanto canários 
disfarçados entre pardais,
trinavam sem parar.
Do briguento bem-te-vi
ninguém podia se aproximar.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Olhos para luz



OLHOS PARA LUZ

Oh meu Jesus de Pirapora, 
se sabemos 
que a morte é inexorável, 
de onde vem 
o desejo ardente de viver 
que em nossa alma vigora? 
Se cerrar os olhos 
no breu da noite fúnebre 
é tão natural 
por que persistimos 
em contemplar 
o assomar da aurora? 
É que a morte é terrena 
e a vida é divina, 
oh Madalena. 
Os olhos se abrem a luz 
enquanto a alma imorredoura 
que com a vida pactua
sua força revigora.