segunda-feira, 24 de junho de 2013

Romance





ROMANCE
(Poesia construída nos tempos do movimento popular que eclodiu em junho de 2013 no Brasil)

* Marco Mendes
É preciso um pouco de romance. 

É preciso ser romântico 

para que a fúria 

não venha tomar o seu lugar. 

É preciso ser poeta 

para conservar-se fiel ao amor 

que conclama a multidão a caminhar, 

sem saber onde vai dar, 

sem saber se algum dia irá chegar.

Pescador de Ilusões



PESCADOR DE ILUSÕES
* Marco Mendes
Lancei minhas redes 
de vento,
lançei-as sobre as águas 
do pensamento.
Puxei-as, 
repletas de sonhos.
Uns tão grandes
que forças 
me faltaram.
Não os pude alcançar.
Sonhos grandes
são difíceis de pescar,
são cardumes de ilusão!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O abraço



O ABRAÇO
* Por MMendes
Num abraço,
dois braços 
te apertam
como um laço.
Se me abraça,
quatro braços
fecham o espaço
para solidão.
Eu começo,
eu te abraço...
tu me abraças,
nós nos abraçamos.
Depois eles se abraçam,
e o verbo ganha vida,
no gesto que passa
de braço em braço.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Reveillon

REVEILLON
*Por MMendes


Fim de ano,
fim de tudo,
findo mundo,
fiquei pasmo,
fiquei mudo.
Num segundo,
folia, foguetório,
gritaria, sanatório.
Fim do ano,
foi-se o plano.
Ano novo,
novo plano,
novo mundo,
tudo novo,
de novo,
num instante,
num segundo.

Tristeza


TRISTEZA
*MMendes
A tristeza existe sim, 
mas em mim, 
nos meus olhos 
que me põe imaginar, 
que à tristeza do outro 
é tão triste quanto a minha.
A tristeza existe sim,
mas nos meus olhos,
que se fazem tristes,
como que solidários ao outro olhar.
Na tristeza os olhos se encontram,
se reconhecem, se entristecem,
como se dissessem,
não fique triste assim,
pois tua tristeza,
também é o meu penar.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Saudade


SAUDADE

(Marco Mendes) 



Lembrança presente,
que mora dentro da gente. 
Borbulha no peito, 
exala pelos poros, 
revestindo-nos de vontade 
que não dá prá saciar. 



Saudade de verdade,
traz o passado à vida.
Mas como tudo o que passa,
volta escuridão onde havia cor,
Lembrança outrora de alegria,
agora um sentimento de dor.



Sentir saudade viva, 
como disse o cantor, 
faz tudo ressuscitar.
Então viva a saudade, 
palavra que só existe aqui, 
em nenhum outro lugar.



Saudade dos amigos,
Saudade das risadas,
Saudade de tudo, tudo mesmo.
Saudade, saudade e mais nada.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O amor inesperado


O AMOR INESPERADO
* Marco Mendes

Hoje estou vazio, doei tudo a quem mais precisava. Nada sobrou para mim, perdoei todos os que me deviam. Hoje olhei para os outros, muito mais que para mim. Hoje agi, muito mais do que falei (e olha que eu gosto de falar!). Hoje me entreguei, sem nada em troca exigir. Hoje eu parei, estacionei. Acho que não há mais para onde ir, sinto que já cheguei, construí um novo olhar. A partir daqui nascer de novo, reaprender a andar.

A notícia me tomou de surpresa e me esvaziou. Não sabia o que dizer e queria não pensar. A notícia me invadiu e remexeu lembranças e sentimentos com violência. Me vi no meio do nada rodeado por bolhas de memórias que flutuavam a minha volta. Percebi que eu estava fora de mim, fora do tempo, sem chão e sem teto. A notícia me derrubou, cai das pernas e meu corpo lá ficou. Um espírito me invadiu, me acalmou, me consolou. Esse espírito me preencheu e anunciou a chegada de algo inovador. Algo que tiraria meu conforto e me faria sair da posição de onde estou. Eu aceitei, me levantei, postei-me diante dele e proferi: "Seja feito, assim. Serei intrumento desse amor".

Ele veio como o inesperado, caminhando leve pé ante pé, na aurora rompendo a noite, chegando manso como o dia. Batendo as portas do coração, presenteando-me com o milagre da vida. Com os braços abertos te recebo com muita alegria. Dar-te-ei abrigo nesta moradia. É o próprio Deus quem chega, pelo portal de abril em Maria, com braços estendidos, espero, abraçar a vida que Deus cria.