sábado, 16 de abril de 2016

Pablito, o presente da felicidade



PABLITO, O PRESENTE DA FELICIDADE.

* MMendes

- Vovô, vovô! Gritava Pablito em direção ao mezanino.

Diante da insistência, vovô que estava no quarto do andar superior, respondeu:
- O que é Pablito? O que aconteceu?
O guri estava aflito e gritava sem parar.
- Desce aqui vovô, vem ver os dinossauros!
Vovô desceu depois de algum tempo. O menino esperava ao pé da escada com dois novos dinossauros nas mãos. Eram presentes da tia Tânia pelo seu aniversário, entregues pelo correio.
- Olha o que eu ganhei! Vem brincar comigo.
Não deu tempo nem mesmo do vovô tomar o café da manhã e lá foi ele com Pablito brincar com os novos dinossauros. O bom avô é aquele que pensa e age com o neto como se fosse da mesma idade dele.
De pequenos momentos é feita a vida, que quando compartilhados com as pessoas que amamos, se tornam momentos inesquecíveis. O netinho nem desconfiava, mas era o vovô quem havia ganhado o maior presente, a felicidade de viver a alegria do neto. Pablito adorava estória com final feliz... “e viveram felizes para sempre”. Por isso, com certeza, ambos eternizaram aquele momento na memória.
Pessoas felizes irradiam alegria, lembram do passado com gratidão, vivem satisfeitas com o presente e olham sem temor para o futuro. Vovô e netinho trocavam felicidade e por isso viviam a fantasia da vida com muita alegria. Pablito com seu coração e sabedoria de criança já sabia a lição, que muitos mestres demoraram uma vida para aprender. A felicidade repartida com o próximo dura para sempre. Parabéns meu neto, o vovô está sempre aprendendo com você.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Pablito, eu quero ser médico!

PABLITO, EU QUERO SER MÉDICO!

*MMendes

Pablito tomou nas mãos um barbantinho, dependurou no pescoço como se fosse um colar e com os dedinhos juntou as pontas e encostou no peito do vovô como se auscultasse o coração.

- Eu sou o dr. Pablito!

- Você é o dr. Pablito? Perguntou o vovô admirado.

- Sim. O dr. Pablito. Respondeu. Pegou um palitinho e deu uma injeção no braço do vovô.

Passado umas duas semanas o vovô deu de presente para seu neto um kit de médico de brinquedo, com estetoscópio, injeção, um termômetro e um copinho de remédio. Precisava ver a felicidade da criança.

Assim que abriu o presente colocou o estetoscópio e pediu para que o vovô se abaixasse. Escutou o coração, deu injeção no braço, no bumbum, fez o vovô tomar remédio, aferiu a temperatura. Isso tudo umas duzentas vezes.

No dia seguinte, quando o vovô foi buscá-lo na escola, Pablito deu um pulo no colo e olho no olho fez um convite:

- Quando a gente chegar em casa vamos brincar de doutor?

E tão logo chegaram começou tudo outra vez: auscultar coração, injeção no bumbum, termômetro debaixo do braço, copinho de remédio. Fez isso com o vovô, com os bichos de brinquedo que estavam ali ao lado e até com o Romeu, o cachorrinho da família. Vida de médico não é fácil!

- Vovô, sua febre está “quatro horas”. Disse o guri olhando para o termômetro de brinquedo.

Ao aplicar a injeção no vovô, com sua fisionomia sorridente e cheia de esperança, fez acompanhar o tratamento de um beijo no rosto e um abraço.

- Pronto! Já passou vovô, não vai doer mais. Viu? Agora você sarou.

A técnica de Pablito para aliviar a dor com um beijo e um abraço é um desses casos raros em que a mentira se torna uma virtude. Se Pablito vai ou não ser médico, só o futuro o dirá. Mas, de alguma forma ele sabia que o melhor médico é aquele sabe infundir no paciente a esperança da cura. E se sabia isso, já estava aprendendo a amar.

Como disse o filósofo Goethe “só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a”. E amor era justamente o que vovô sabia dar.

sábado, 2 de abril de 2016

Pablito, o doce da vida



PABLITO, O DOCE DA VIDA


* MMendes
A porta do escritório abriu-se com toda fúria, dando passagem a uma pequena criatura que se escondeu debaixo da mesa com dois pirulitos na mão.

- Pablito! Agora o vovô não pode brincar, estou trabalhando.

- Eu tô escondido. Descobri onde a vovó esconde os pirulitos. Sussurrou o menino ofegante.

- Para de trabalhar e vem aqui comigo debaixo da mesa.

- Mas Pablito, o vovô tem que fazer esse trabalho aqui no computador. Não posso brincar agora.

- Mas vovô, eu trouxe dois pirulitos, uma para mim outro para você. Insistiu o guri.

Não teve jeito. Vovô salvou o texto no computador e correu para debaixo da mesa do escritório. É verdade que teve que ficar encolhido, mas isso foi a alegria do neto. E ficaram lá chupando pirulito por algum tempo, até que a vovó os descobriu.

- O que vocês estão fazendo ai embaixo da mesa? Inquiriu a vovó.

Os dois deram muita risada e a vovó não entendia nada, até que notou a língua vermelha do neto e viu os papeis de pirulito jogados no chão.

- Ah seus dois malandros, estão ai chupando pirulito, né?

Depois que a vovó se retirou, vovô e o neto continuaram ali dando gargalhadas por mais uns minutos.

Afinal, nem só de trabalho vive o homem, pois existe vida além! O trabalho é apenas uma pequena parte no mundo da vida. Se é pelo trabalho que produzimos o que consumimos, é no mundo da vida que produzimos a própria vida e todos os valores sociais, morais, espirituais e familiares com que organizamos e damos significado ao próprio trabalho. Trabalhar para que afinal, se não for para viver melhor?

Esse meu doce netinho e seus ensinamentos profundos com sotaque de criança. As vezes precisamos parar o trabalho para sentir o doce da vida. Como dizia Nietzche: “A vida mais doce é não pensar em nada”.

terça-feira, 29 de março de 2016

A ciência do amor

A CIÊNCIA DO AMOR
*MMendes
Ainda que cavasse no coração do mundo, 
o bem lá não encontraria. 
Ainda que pudesse navegar nos confins do universo, 
ainda assim, o bem lá não estaria.
Se que a ciência tivesse o poder de tudo alcançar, 
nem mesmo assim com o bem esbarraria.
O bem não está naquilo que se pode ter ou agarrar. 
O bem é uma forma de ser, 
reside na sutileza do sentir e do olhar.
E sem o bem não há beneficio, 
pois o bem é o ofício,
o que transforma toda descoberta 
na ciência do amar.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Pablito, uma Páscoa generosa



PABLITO, UMA PÁSCOA GENEROSA

*MMendes

Assim que o carro estacionou na garagem, Pablito veio correndo e pulou no colo do vovô. Em meio aos abraços, cosquinhas e risadas, vovô disse ao neto:

- Você não advinha quem eu encontrei! O coelhinho da Páscoa!

- Onde vovô? Onde ele estava? Perguntou arregrando os olhinhos de espanto e surpresa.

- Lá perto do mercado. E sabe o que ele me falou? Que vai te trazer um delicioso ovo de chocolate branco. Pablito adora chocolate branco.

Pablito passou a língua nos lábios e disse:

- Delícia! Quando vovô, quando ele vai trazer?

- No domingo de Páscoa! Disse o vovô.

Então foi com o netinho até a dispensa, pegou uma caixa de sapatos e juntos encheram com pedados de papel picado. Era o ninho do coelho, onde ele deixaria os ovos.

Na noite do sábado vovô e vovó puseram os chocolates na caixa sobre a mesa da sala de estar. Tão logo acordou no domingo, Pablito foi conferir o ninho e deu um grito de alegria ao ver um ovo de chocolate branco. Junto com esse ovo havia outros três chocolates, que Pablito distribuiu generosamente para a mamãe, para o titio e para a vovó.

- Ih! Acho que o coelho esqueceu-se de mim. Disse o vovô.

- Não vovô, não esqueceu não. Esse ovo é para mim e para você. Disse Pablito consolando-o. Abriu o ovo, partiu um pedaço e com um largo sorriso ofereceu para o vovô, que abraçou o neto e agradeceu a oferta.

A Páscoa é sem dúvida uma época muito especial. Mistura a magia do coelho e o sabor do chocolate ao mistério da ressurreição de Cristo, tudo amarrado pelos laços de família. É tempo de renascer, reaprender a viver. Como é bom testemunhar a generosidade brotar como um delicioso bombom saído do ovo da vida, entregue pelas mãos de uma criança, com o firme propósito de redimir os homens da velha e conservadora ganância. Feliz Páscoa Pablito. Será um grande homem.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Pablito, o suor da benção

PABLITO, O SUOR DA BENÇÃO
*MMendes

Na missa o padre convocou a assembléia de fieis para o lado de fora do templo, para o início da procissão do Domingo de Ramos. Pablito estava no colo do vovô à sombra do telhado da varanda. O sol estava escaldante e o suor escorria do rosto de muitas pessoas, principalmente do padre.

Em determinado momento o padre tomou o aspersório nas mãos e começou a aspergir água sobre as pessoas. Várias gotas caíram no rosto do Pablito. O menino não entendeu porque o padre Aldir molhou as pessoas. Fitou o vovô com olhos de interrogatório.

Nesse momento, uma mulher que estava ao lado percebeu o espanto da criança e disse:

- Agora você está abençoado! 

Então Pablito virou para o vovô, enxugando o rosto com as mãozinhas disse: 

- Vô, agora eu tô bem suado!

Ah, meu netinho. Teu coração de criança te revelou grande sabedoria que só os puros de coração podem alcançar. 

Teu pequeno coração se abriu para receber de graça que existe uma forte relação entre a benção e o suor. Quando crescer e disser “com meu próprio suor eu me formei na faculdade”, ou ainda, “eu conquistei isso às custas do meu próprio suor”, não se esqueça que atrás do teu esforço e do teu suor, muitas bênçãos te foram enviadas por Deus, entregues pelos anjos que Deus colocou ao teu lado. Então proclame sempre assim: “eu conquistei tudo isso com meu esforço e com meu próprio suor, graças às bênçãos de Deus e aos anjos que me conduziram”.

domingo, 20 de março de 2016

Juízo final




Juízo Final
*MMendes

Não há mais como esconder o mal
ele está aí escancarado afinal.
Com a espada afiada da justiça 
foi ferido mortalmente o lobo 
que estava a saquear nosso país
encantando muitos com sua canção
sob aparência de frágil ovelha 
bebia todo o sangue da nação.