terça-feira, 18 de março de 2014

Reinventar-se



REINVENTAR-SE

Não minto para mim mesmo.
jamais me abandonei.
Muitas vezes cai,
quase sempre me levantei.

As vezes que não consegui
ali mesmo no chão eu brotei,
segui rastejando como rama forrageira,
mas nunca estagnei.

Já tive a impressão de estar sozinho,
mas de fato me enganei.
Sou tantos em mim,
acho que é por isso,
que tantas vezes me reinventei.

sábado, 15 de março de 2014

Pavão

PAVÃO 

Com seu leque de ilusão 
desabrochou seu encanto. 
Nenhuma sutileza. 
A beleza do pavão 
adiantou-se 
inaugurando 
a estação da flores.

Levança

LEVANÇA

Eu prefiro 
não preferir. 
Todas as vezes 
que escolhi, 
errei, 
perdi, 
desapaixonei. 

Eu prefiro 
deixar acontecer 
sem sofrer 
por antecipação. 

Eu prefiro 
não saber 
o que está 
para acontecer.
Até mesmo
para não falecer
antes do dia 
de morrer.

Eu prefiro fluir
como água 
que brota da terra, 
escoa em riacho
soma-se em rios
para juntos 
desaguarem 
nas águas mar.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Lucina

LUCINA

Lucina selenita
Que espreita os enamorados
atiça o uivo do lobo
transtorna a mente dos homens
hipnotiza as marés 
faz o parto prematuro
domina as cabeleiras
não se esconda 
atrás das nuvens cinzentas
não deixe que as noites tenebrosas
venham nos açoitar.


quarta-feira, 12 de março de 2014

Flor do deserto

FLOR DO DESERTO

Aquele que tem 
a capacidade de sorrir 
e estender a mão, 
ainda que tenha 
vontade de chorar 
ou sinta dor, 
tem o poder 
de transformar 
o deserto 
num jardim 
coberto de flor.

É dessas pessoas 
que o mundo precisa. 
Gente que não venta, 
apenas brisa. 
Gente que acalma 
conquista, 
que toca incisivo,
mas não fere,
não pisa.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Crazy

CRAZY

Criméia em crise
Azaléia não deu flor.
Panacéia cultural
Coração indolor.

E o sal por onde anda?

Até os Santos 
saltaram do andor.

Nos caminhos 
cobertos de bréu
a luz se escondeu.
Por onde andará o amor?

Deserto

DESERTO
*Marco Mendes

Sob o sol, 
o vento e o frio, 
a fome e a sede
as pegadas 
deixei para trás.
Andei quarenta anos
seguindo apenas a esperança
só a fé a me guiar.
Atravessei meu deserto
venci a soberba
recusei a riqueza
me despi do poder.
Ganhei o fruto da vida
servido pelos anjos.
Me deu a força necessária.
Morri para viver
me perdi 
para me encontrar.